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Análise fundamentalista dos múltiplos relativos da Petrobras

Abril 24th, 2009 by small caps

Sempre que o investidor for decidir pela compra de ações de uma companhia, deve avaliar se está pagando caro ou barato pelo futuro que se projeta nos preços. Uma das formas de se realizar este estudo é por meio dos múltiplos da análise fundamentalista. Os mais conhecidos são Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial e Dividendo anual.

A atratividade destes indicadores sofre efeito das taxas de juros no mercado livre de risco. No Brasil, o mais próximo disto é a taxa SELIC. Por exemplo, com a SELIC a 11,25%, um Preço/Lucro por volta de 8 ou 9 pode ser considerado um ponto de equilíbrio, com o mercado acreditando em manutenção dos lucros.

No caso da Petrobras, as perspectivas futuras são bastante conhecidas e comentadas pelo noticiário econômico. Os fatores que mais influenciarão suas cotações são: a capacidade de controlar os custos; o sucesso na exploração da camada pré-sal e a manutenção do Petróleo em níveis de preços viáveis. A companhia é das poucas que ainda pode expandir de forma relevante sua capacidade produtiva e tem um ambicioso plano de investimentos para tanto.

E o que você está pagando por tudo isso?

A Petrobras negocia com Preço/Lucro 8. Ou seja, o mercado espera que o patamar atual de lucratividade se manterá no médio prazo. Ações de empresas que possuem P/L mais alto significa a precificação no presente de eventual aumento futuro da lucratividade. Não é o caso da empresa. O P/L também não está baixo o suficiente para sinalizar a crença de que o petróleo continuará caindo de preço e que os investimentos recentes que estão sendo realizados não se mostrarão exitosos.

O Preço/Valor patrimonial está em 1,9. Isto significa que o investidor atualmente aceita pagar mais pela empresa do que o seu próprio valor contábil, traduzido pelo patrimônio líquido. Há íntima relação entre o indicador Preço/Valor Patrimonial e a Rentabilidade Operacional (ROE - ou RPL como no quadro dos indicadores fundamentalistas). No caso da Petrobras, o ROE dos últimos 12 meses equivale a 23,8%, sinalizando que o capital próprio utilizado pela empresa gera retorno superior às taxas de juros.

O Dividendo dos últimos 12 meses em relação á cotação atual está em 2,7%. A cifra é baixa se comparada a inúmeras outras companhias do setor elétrico e de telefonia. No entanto, empresas em fase de forte crescimento costumam reinvestir os lucros na própria atividade. Isto é benéfico ao investidor quando o retorno sobre o patrimônio líquido supera o custo de capital, o que é o caso da Petrobras. No futuro, o investimento em mais capacidade produtiva pode se traduzir em mais proventos a serem distribuídos aos acionistas.

Portanto, o preço pago hoje pela Petrobras sinaliza que o mercado acredita que o petróleo continuará sendo uma importante fonte de energia e que os preços da commoditie gravitarão ao menos um pouco acima do atual. Caso a cotação do Petróleo volte a subir e/ou os investimentos na camada pré-sal tragam bons retornos, a tendência é que as cotações se elevem no médio e longo prazo.

No curto prazo, o movimento mais relevante virá do fluxo de capital estrangeiro. Na hipótese de os investidores de outros países voltarem a aplicar no Brasil, um caminho natural é a exposição nas ações mais líquidas num primeiro momento, o que contribuirá para a alta das cotações. No longo prazo, no entanto, são os resultados corporativos que ditarão os rumos da empresa na bolsa.

Glossário de termos utilizados na análise da Petrobras

Preço/Lucro (P/L): em condições constantes de lucro ao longo dos anos, significa o tempo em anos que a companhia levará para lucrar quantia equivalente ao seu valor de mercado.

Preço/Valor Patrimonial por ação (P/VPA): É a relação entre o preço pago pela ação e o valor patrimonial que ela significa. Toda companhia tem um Patrimônio Líquido. Este patrimônio é o que sobra para o acionista quando realizado o encontro das contas de todos os ativos (dinheiro em caixa, aplicações, estoques, máquinas, imóveis, etc…) e do passivo (empréstimos, pagamento a fornecedores, etc…). Mas é necessário ter em mente que muitas vezes o patrimônio da empresa contém ativos/passivos superiores ao valor contábil e vice-versa.

ROE: retorno sobre o patrimônio líquido. Se uma companhia tem um patrimônio de R$ 100 mil e gerou um lucro líquido de R$ 20 mil, significa que o ROE é de 20%. O ideal é sempre buscar por companhia cujo ROE é superior ao custo do capital (taxa SELIC, por exemplo).

Abraços,

Small caps - Anderson Lueders

Autor do Livro “Investindo em Small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso

Panorama dos Resultados Anuais das Empresas

Abril 21st, 2009 by small caps

Os balanços referentes ao ano de 2008 foram bastante aguardados, na medida em que trazem quais foram os primeiros impactos reais da crise nas companhias negociadas em bolsa, nos seus mais diversos setores, bem como evidenciam os efeitos da nova legislação contábil.

É, portanto, o momento de apreciar se o que era esperado de fato aconteceu. Teoricamente, é sabido que os setores mais defensivos são os de energia elétrica e telecomunicações. Na prática, vimos um desempenho efetivamente muito positivo nas empresas de energia elétrica, que estavam muito melhor preparadas para esta crise do que em outras oportunidades. As dívidas estavam equacionadas e não eram atreladas ao dólar. Junto do balanço, muitas delas anunciaram dividendos bastante altos, especialmente se considerado o atual nível de juros reais que vem se estabelecendo no Brasil. No setor de telefonia, as companhias continuaram operacionalmente muito bem. Apenas algumas delas tinham também dívidas cambiais que afetaram o resultado financeiro, o que não deverá se repetir no primeiro trimestre deste ano. Portanto, houve boa razão para se manterem com preços mais firmes que a média do mercado no último ano.

Já o segmento de construtoras foi um dos que mais surpreendeu o mercado. Com as novas normas contábeis, ficou evidente que as companhias utilizavam critérios diferentes na hora de fazer o balanço. Por exemplo, muitas despesas comerciais, antes reconhecidas apenas quando da venda e realização da obra, passaram a ser contabilizadas no momento em que incorridas. Isto provocou forte mudança nos resultados anuais e um rearranjo de atratividade das ações do setor. Agora, ficará mais fácil comparar o desempenho empresarial. Operacionalmente, boa parte das companhias continuou apresentando lucros decorrentes das vendas de unidades realizadas antes da chegada da crise. Houve também um redirecionamento de muitas empresas do setor ou para construções comerciais, ou para o segmento econômico. O segmento mais afetado foi aquele que atende as classes sociais de maior poder aquisitivo. As vendas de novas unidades caíram bastante no último trimestre de 2008, inclusive fazendo com que algumas companhias cancelassem alguns empreendimentos.

No setor do agronegócio/alimentos, a maioria das companhias sofreu forte impacto do câmbio, diante da excessiva exposição à moeda e, em alguns casos, até mesmo derivativos cambiais. Embora tenham demanda menos elástica, as empresas foram prejudicadas com a falta de crédito e com a crise econômica em alguns dos seus mercados, justamente no momento em que o câmbio passa a favorecer as exportações. O mercado interno comportou-se muito melhor que o mercado externo.

Os bancos médios mostraram adaptação ao novo cenário econômico, readequando o tamanho da estrutura. Ficou também evidente que nem todos tiveram que recorrer às medidas anunciadas pelo governo para destravar o empoçamento da liquidez nos grandes bancos até o encerramento do ano, o que permitiu a manutenção de boas margens operacionais. Houve forte aumento de provisões espontâneas para os devedores duvidosos, antecipando os prováveis efeitos da crise econômica na inadimplência, impactando o lucro líquido. As medidas tomadas pelo Banco Central permitiram que muitos deles mantivessem caixa adequado ao final do ano.

No segmento industrial, várias empresas também sentiram fortemente o impacto do dólar no balanço financeiro. Ficou evidenciado o aumento do estoque em razão da abrupta queda da atividade econômica, ajuste este que certamente se estendeu durante o primeiro trimestre deste ano, gerando fortes quedas na produção industrial. Estas companhias, em sua maioria, ainda não se beneficiaram totalmente da queda do preço das commodities (compras estocadas) e pelo aumento do dólar que melhora as margens das exportações (mercado consumidor externo retraído).

Entre as empresas em geral, saíram-se melhor na crise aquelas voltadas ao mercado interno e que produzem bens não duráveis ou que atuam no varejo. Aquelas que possuem boa disponibilidade de caixa sofrem menor nível de sobressaltos, até porque não tem, além da atividade operacional fraca, a corrosão da lucratividade pelas despesas financeiras.

Um bom método de seleção acionária no atual cenário é privilegiar a compra das ações que pagam bons dividendos e que há tendência de manutenção dos resultados empresariais, como as ações defensivas. Em outros segmentos, o investidor já pode estar comprando ações que custam abaixo do valor (ou próximo disso) que a companhia tem em ativos líquidos (caixa, aplicações financeiras de liquidez imediata, recebíveis de clientes, estoques, etc…) subtraído de todas as obrigações e que tenham boa gestão. Quando iniciar a retomada econômica, as ações defensivas certamente subirão menos, uma vez que não caíram tanto em razão da crise. Por isso, fazer uma diversificação com ações hoje extremamente depreciadas pode ser a chave para surpresas agradáveis no futuro.

Recomendação de leitura
Investindo em Small Caps

Anderson Lueders
Em linguagem acessível, o livro traz as ferramentas necessárias para o investidor identificar e avaliar um segmento de enorme potencial de valorização na bolsa de valores, as empresas pequenas e médias, conhecidas como Small Caps. O livro apresenta estratégias e define o melhor momento para a compra e venda dessas ações indicando os comportamentos mais adequados durante a trajetória do investimento.

Bancos médios salvam o mês da carteira Small Caps. Resultado de março e mudanças para abril.

Abril 5th, 2009 by small caps

Caros leitores:

No mês de março, a carteira small caps atingiu valorização anual de 13,89%, ampliando para pouco mais de 16% a vantagem para o índice Small Caps, que tem queda de 2,4% até 31/03, conforme consta no BDI da Bovespa do referido dia.

O mês trouxe importantes lições do poder da reação a resultados, ainda que eles sejam previsíveis. As maiores quedas ficaram por conta de Fertilizantes Heringer (10,3%), Encorpar (12,57%) e Metal Leve (10,17%).

Encorpar não teve um resultado estupendo no último trimestre, mas também não foi motivo suficiente para o desempenho tão negativo. Em contrapartida, Fertilizantes Heringer e Metal Leve mostraram o quanto o câmbio prejudicou os resultados.

FHER3 foi também afetada pelo enorme estoque que montou para fazer frente ao que parecia ser um eterno crescimento de demanda de fertilizantes pela agricultura brasileira. O freio foi brusco e custou cifras milionárias, comparadas a toda a arrecadação com a abertura de capital. O estoque teve seu valor revisto e detonou qualquer possibilidade de lucro. O ativo será mantido na carteira para compor a carteira de turnarounds, que vai ter participação diluída com outras ações de empresas em situação também de maior risco.

Metal Leve teve perdas com hedge, que ainda devem afetar o resultado de 2009, uma vez que no passivo circulante consta a cifra de R$ 232 milhões relativa a prejuízos com derivativos. Como seu preço em relação ao faturamento não é tão depreciado como outras empresas que tiveram pesadas perdas com derivativos, esta saindo a partir de abril da carteira small caps.

Pelo lado positivo, destaque novamente para o Bic Banco, com expressivos 41,96% de alta e para as companhias Eternit (16,06%) e Santanense (14,88%).

A alta das ações do Bic Banco certamente tiveram relação com o anúncio do terceiro programa de recompra de ações, anunciado ao término do pregão de 12/03/2009 e pelo anúncio de substanciais dividendos de R$ 0,155 por ação, no dia 23/03, ainda relativo ao ano de 2008. E mais, no dia 24/03, R$ 0,108 por ação de juros sobre o capital próprio, relativos ao primeiro trimestre de 2009. Ou seja, mais de R$ 0,26 por ação.

Eternit e Santanense anunciaram resultados excelentes, referentes ao quarto trimestre, que evidenciaram que a alta do Dólar fez bem para o desempenho de ambas. Os indicadores fundamentalistas ficaram muito atrativos, o que gerou forte demanda pelos papéis.

Todos as demais ações oscilaram na faixa de -10% e +10%.

Segue o desempenho do mês de março e anual:

Ação Empresa Segmento Inclusão % janeiro % fevereiro % março % ano
BEEF3 Minerva Alimentos abr/08 -1,62% -1,10% -4,44% -7,03%
PINE4 Banco Pine Banco abr/08 45,56% 12,88% 5,98% 74,14%
BGIP4 Banese Banco set/08 13,53% 12,68% 0,00% 27,92%
BICB4 Bicbanco Banco dez/08 44,48% -9,54% 41,96% 85,55%
CTAX4 Contax Call Center nov/08 2,88% 2,38% 3,43% 8,93%
BISA3 Brascan Construção Civil mai/08 -19,43% -5,03% 3,17% -21,05%
EZTC3 Eztec Construção Civil set/08 -15,32% 10,55% 11,36% 4,26%
CEBR3 C. E. Brasília Energia Elétrica nov/08 33,33% -10,00% 0,00% 20,00%
FHER3 Heringer Fertilizantes set/08 23,31% -9,34% -10,30% 0,28%
ECPR4 Encorpar Holding dez/08 9,30% -2,14% -12,57% -6,49%
SGAS4 WLM Holding abr/08 -1,18% -2,19% 0,59% -2,77%
TGMA3 Tegma Logística nov/08 26,89% -1,93% 5,04% 30,71%
ETER3 Eternit Material de Construção mai/08 6,85% -4,03% 16,06% 19,02%
LEVE4 Metal Leve Material de Transporte jan/08 -6,12% 0,97% -10,17% -14,85%
MWET4 Wetzel Material de Transporte fev/07 -9,86% -3,93% -1,74% -14,91%
CNFB4 Confab Metalurgia dez/08 0,80% 12,96% -6,32% 6,67%
MGEL4 Mangels Metalurgia ago/07 2,40% -2,34% 9,80% 9,80%
TKNO4 Tekno Metalurgia mar/07 -5,66% -0,02% -6,12% -11,45%
PTNT4 * Pettenati Têxtil fev/07 2,86% -3,47% excluída -0,71%
CTSA3 Santanense Têxtil abr/08 8,85% 2,87% 14,88% 28,65%
EQTL3 Equatorial Energia Energia Elétrica fev/09 8,09% 27,71% 1,27% 38,04%
HBOR3 Helbor Construção Civil fev/09 8,09% 22,50% 2,04% 32,41%
SULA11 Sulámérica Seguros fev/09 8,09% 3,98% 0,76% 12,39%
MÉDIA 8,09% 2,37% 2,94% 13,89%

Além da mencionada saída de Metal Leve, o mês de abril terá também a retirada de Brascan (BISA3) da carteira small caps. Além de objetivar a diminuição do peso da construção civil na carteira, que já tem outras três companhias do segmento (ETER3, EZTC3 e HBOR3), Brascan teve uma seqüência de fatos que considerei negativos.

Primeiramente, a conjuntura econômica mostrou que a aquisição da Company não foi realizada no melhor momento. Atualmente, provavelmente o preço a ser pago seria menor. Segundo, isto contribuiu para a necessidade de chamada de capital por meio de subscrição de novas ações, diluindo a participação acionária de quem não aplicou mais recursos e piorando os indicadores fundamentalistas como P/VPA e P/L. Por fim, as novas regras contábeis afetaram bastante os seus resultados.

Ingressaram as ações SLED4, PRVI3 e GRND3 e RAPT4.

Resumidamente, sobre as empresas:

A Saraiva, que já subiu 11,51% nos primeiros dias de abril, negocia atualmente com P/L abaixo de 7, P/VPA 1,4 e PSR 0,44. Surpreendeu com o forte crescimento da receita e do lucro líquido em plena crise. Costuma ter os melhores resultados no primeiro e no quarto trimestre de cada ano. As lojas da Siciliano que foram reformadas trouxeram vendas até 100% maiores e há muito a ganhar com esta aquisição.

A Providencia (alta de 24,07% até o dia 03/04) também negocia com P/L abaixo de 7, P/VPA 0,6 e PSR 0,55. Atua no segmento de não tecidos. A demanda por seus produtos não deve sofrer tanto como as demais atividades econômicas. Beneficia-se da alta do dólar por meio das exportações, o que contribuiu para o bom desempenho no quarto trimestre.

A Grendene (alta de 6,55% até o dia 03/04) negocia com P/L 5, P/VPA 0,98 e PSR 0,93. Tem DY de 9,1% e custa apenas uma vez o ativo circulante líquido, conforme site www.fundamentus.com.br. Também pode se beneficiar da alta do dólar em razão das exportações, o que já elevou substancialmente o preço médio em Reais praticado por unidade vendida para o exterior.

A Randon (alta de 7,78% até o dia 03/04) é historicamente uma empresa com excelente gestão e que dificilmente chega a ter múltiplos tão atrativos. Negocia com P/L 4,2, P/VPA 1,23 e PSR 0,32. Tem ROE de 29%. É grande a possibilidade de diminuir a lucratividade em 2009, até porque já anunciou quedas fortes na receita nos primeiros dois meses do ano. No entanto, parte disso será compensado com o custo menor das commodities e pelo aumento da receita em Reais por unidade vendida ao exterior. Portanto, nesta fase negativa do ciclo, pode-se estar diante de uma oportunidade única de compra de uma empresa superior.

Além destas companhias, ingressam INEP4, GSHP3 e BAUH4, juntamente com os ativos que já fazem parte FHER3, BEEF3, MWET4, CEBR3 e ECPR4. Todas opções com um risco um pouco superior ou são empresas em situação especial.

Como estas empresas devem ter menor peso na carteira do investidor, o que é explicado no livro que escrevi (Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso), a partir de agora serão dois grupos de empresas com risco superior por diversas razões: (BEEF3, FHER3, MWET4 e CEBR3) e (ECPR4, INEP4, GSHP3 e BAUH4). As quatro ações reunidas de cada grupo terão o peso como se fosse apenas uma ação.

A carteira então, terá as seguintes ações: PINE4, BGIP4, BICB4, CTAX4, EZTC3, SGAS4, TGMA3, ETER3, CNFB4, MGEL4, TKNO4, CTSA3, EQTL3, HBOR3, SULA11, SLED4, PRVI3, GRND3, RAPT4, (BEEF3, FHER3, MWET4 e CEBR3) e (ECPR4, INEP4, GSHP3 e BAUH4).

Para não me alongar ainda mais, falarei mais adiante sobre as ações INEP4, GSHP3 e BAUH4, que devem ser analisadas com cautela e com investimento adequado ao perfil de risco.

Lembre-se sempre de analisar cada sugestão que recebe. Esta é sua melhor garantia de que efetivamente estará fazendo um bom negócio.

Feliz Páscoa a todos!

Abraços,

Small caps – Anderson Lueders

Autor do livro: Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso.

Carteira small caps para abril.

Abril 1st, 2009 by small caps

Caríssimos,

Em breve vou divulgar a carteira small caps para abril, com os comentários sobre o desempenho de março. O grande destaque do mês foi a alta de BICB4, com 41,96%, atingindo 85,55% apenas este ano e mais de 150% desde dezembro.
Antecipo as ações que vão sair da carteira:
LEVE4, BISA3.

Ingressarão as ações SLED4, PRVI3 e GRND3 e RAPT4.

Vou fazer na carteira o grupo de turnarounds, com menor peso, e maior diversificação, e ele contará também com INEP4, GSHP3 e BAUH4. Os pesos de FHER3, BEEF3 e MWET4 serão divididos com estas novas participações na carteira.

Em breve divulgo no blog os comentários sobre o desempenho das ações no mês de março, com algumas questões pontuais e alguns balanços de destaque. Citarei também brevemente as razões das novas escolhas.

Abraços,

Small caps - Anderson Lueders.

Autor do livro “Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso“.

O imediatismo e a arte de semear – aspectos emocionais.

Março 25th, 2009 by small caps

Caros leitores:

Os últimos meses têm apresentado aos investidores uma bolsa até então desconhecida para muitos.

Aquela maravilhosa alternativa de investimento em que durante 5 anos era apenas necessário comprar sem muito critério não se comporta mais da mesma maneira.

Durante muito tempo, investidores buscaram por empresas baratas. Encontrar uma empresa com indicador Preço/Lucro de algo próximo a 8 era um excelente negócio. Quando, alem disso, pagava 5% da cotação em dividendos, estava ali uma grande oportunidade.

Quase tudo era questão de tempo. Pouquíssimo tempo. Qualquer notícia era motivo para disparada de cotações. Que o diga o pessoal que surfou na onda da Telebrás e de tantos outros ativos de duvidosos fundamentos que subiam sem muito critério. O céu era o limite das altas. Commodities subiriam sem parar e sempre. O setor, cíclico que é, parecia que estava deixando de ser. Ledo engano.

A realidade pode custar a chegar, mas ela esta aí.

Voltamos para o início do ano de 2008. As recomendações quase uníssonas dos analistas da época: “o primeiro semestre será turbulento, melhorando a partir do segundo semestre”. Com o investment grade: “Bolsa de valores é a grande opção do momento”. O que vimos? Um excepcional início de ano para a bolsa após o susto de janeiro e um início de segundo semestre que vai demorar para ser esquecido… exatamente o contrário…

O que encontramos atualmente no mercado?

Aquelas ações do sonho, com a relação Preço/Faturamento (PSR) abaixo de 0,5, com P/L 3, 4 com os resultados atuais e P/VPA já abaixo de 0,5 estão hoje disponíveis aos montes. Várias pagam mais de 10% em dividendos, chegando a mais de 20%. Inacreditavelmente ninguém quer… Qual a lógica para comprar alguma coisa pagando 300, 500% acima do preço atual e achar que fez um bom negócio e agora ficar com medo de comprar por 1/5 do valor em alguns casos?

É o que podemos chamar de emoção. Ela é cruel nos investimentos. Quando tudo sobe, o investidor fica super confiante e compra ao menor sinal de que algo de bom pode acontecer. Na queda, surge o medo que domina as operações. Isto é normal e o melhor antídoto é a capacidade de ser racional e utilizar-se de técnicas de investimento de análise de valor, seja qual for o cenário. Assim, você enxerga a chance de vender e de comprar, ainda que a multidão esteja gritando o contrário no seu ouvido.

Nos mercados de queda mais prolongada é que surgem mais facilmente aquelas oportunidades que 5, 6 anos depois serão as superações que sobem 1000, 2000%. Dificilmente se encontra isto após anos de alta. Quanto mais longa a queda, maior será a quantidade de oportunidades.

Convém recordar-se neste momento do ano 2000 até o último trimestre de 2001. Várias empresas soltavam excelentes resultados e pagavam fartos dividendos em relação à cotação, mas nem por isto subiam. Foram anos em que muitos desistiram do mercado, pois não tiveram a capacidade de semear. Imperava para estes o imediatismo. Quem permaneceu comprando as barganhas que surgiam a cada rodada de balanços trimestrais, com método e tranqüilidade, teve uma excelente colheita, com altas memoráveis.

E a história sempre se repete. Podemos, portanto, estar diante, desde o segundo semestre de 2008, de um período para semear, com a compra de empresas de diversos setores que estejam muito subavaliadas. É essencial ir aos poucos, utilizando o fluxo de caixa para aproveitar e montar uma carteira de ações com potencial excelente. No próximo ciclo de alta, você poderá agradecer este momento…

Aliás, vários ativos já se valorizaram mais de 100% desde o ápice do pânico, inclusive integrantes de setores “abominados” pelos analistas.

Abraços

Small caps – Anderson Lueders.

Recomendação de leitura

Investindo em Small Caps

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Março 14th, 2009 by small caps

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Carteira Small Caps atinge valorização de 10,51% no ano. Razões do desempenho superior.

Março 1st, 2009 by small caps

A carteira Small Caps rendeu 2,37% no mês de fevereiro, em meio a queda de 2,8% do Ibovespa e 4,9% do índice do seu segmento. No ano, o retorno já supera em quase 9% o Ibovespa e em mais de 15% o recém criado índice Small Caps.

As companhias incluídas no mês de fevereiro tiveram altas mais expressivas, com média superior a 17%. São elas: EQTL3, 27,71%; HBOR3, 22,5% e SULA11, 3,98%.

Este mês trouxe importantes lições:

Novamente ficou evidente que os mitos de que “blue chips” são mais seguras e que se deve sempre buscar ativos com grande “liquidez” que se comportam melhor na crise foram desmentidos. Como já disse em outras oportunidades: tudo depende de boas escolhas, embora a maioria do mercado e seus analistas sigam dizendo todo dia o contrário na imprensa especializada…

A reação aos resultados e as expectativas em torno deles, quando os preços das ações estão deprimidos, geram fortes retornos. Investidores que enxergam no balanço o potencial de lucro das companhias com antecedência podem se beneficiar da ineficiência do mercado quando precifica as ações. Os exemplos mais evidentes neste mês foram em Equatorial Energia e Confab. A EQTL3 publicou seu resultado anual com forte lucro e com o anúncio de proventos que atingia quase 25% do valor que a companhia estava cotada quando ingressou na carteira small caps.

A CNFB4, por sua vez, como já antecipado na mudança da carteira small caps em outubro de 2008, visando equilibrá-la ao novo cenário econômico de alta do dólar, trouxe bons resultados operacionais, e teve o lucro líquido turbinado pelo fato de ter o seu expressivo caixa denominado em dólar. O ganho no mês complementou o retorno próximo de 40% desde a indicação para a carteira small caps.

E ainda com base na reação aos resultados, a HBOR3 trouxe importante contribuição ao retorno da carteira, com grande probabilidade de estar reagindo ao anúncio de boas vendas no quarto trimestre, enquanto o mercado já precificava o apocalipse. Ainda do setor das construtoras, a EZTC3 diminuiu as perdas no ano, com ganho de 10,55% no mês.

O mês contou também com a continuidade do bom desempenho das ações do setor bancário, com Banco Pine e Banese subindo pouco mais de 12%, compensado parcialmente com a realização de lucros ocorrida no Bic Banco de 9%. No ano, a cotação das ações do banco Pine lidera as altas com aumento de 64,32%.

Neste mês nenhuma ação da carteira small caps teve desempenho com queda superior a 10%. Todas as demais ações não citadas variaram na banda entre – 10% e 10%.

A única mudança para a carteira small caps de março é a saída da Pettenati. Empresa têxtil que trouxe expressivos retornos superiores a 250% para a carteira small caps em 2007. Chegou a permitir realizações de lucros com vendas superiores a R$ 16,00, poucos meses após o ingresso na carteira por R$ 4,50. No último balanço divulgado, ficou evidente queda na receita e nas margens operacionais, bem como a informação de maiores dificuldades no seu projeto de expansão internacional. A Pettenati teve um estudo no livro que escrevi especificando as razões que levaram as cotações da companhia a terem o desempenho ocorrido no ano de 2007.

As demais companhias permanecem, seja por terem divulgado bons resultados em relação aos preços atuais (PINE4, BICB4, BGIP4, CTAX4, CNFB4, EQTL3 e SULA11) ou por ainda não o terem feito. No mês de março saem todos os demais resultados anuais. Para o que esperar deles, recomendo a leitura do texto: http://smallcaps.blogs.advfn.com/2009/01/28/prepare-se-em-breve-inicia-se-a-temporada-de-balancos/

Alerto que o resultado das companhias Mangels, Heringer, Minerva e Metal Leve devem vir afetados negativamente por efeitos cambiais, podendo abrir boas oportunidades de compra com preços ainda mais depreciados. São ativos que devem ser avaliados conforme empresas em situação especial atualmente, e o posicionamento, dado os riscos envolvidos, deve ser em menor quantidade de capital. A relação entre o valor de mercados destas empresas e o faturamento líquido anual (PSR) é, na seqüência, 0,13, 0,06, 0,06 e 0,26. Ou seja, no máximo têm valor de mercado equivalente a um trimestre de faturamento. Estão no mesmo pacote que FTRX4, ESTR4 e WISA4, companhias que possuem patrimônio pesadamente negativo, muito diferente da situação daquelas, que, apesar do prejuízo cambial evidenciado até o terceiro trimestre, mantinham liquidez corrente superior a 1.

Segue a carteira atualizada, com o desempenho anual:

Ação Empresa Segmento Inclusão % em janeiro % em fevereiro % ano
BEEF3 Minerva Alimentos abr/08 -1,62% -1,10% -2,70%
PINE4 Banco Pine Banco abr/08 45,56% 12,88% 64,32%
BGIP4 Banese Banco set/08 13,53% 12,68% 27,92%
BICB4 Bicbanco Banco dez/08 44,48% -9,54% 30,71%
CTAX4 Contax Call Center nov/08 2,88% 2,38% 5,33%
BISA3 Brascan Construção Civil mai/08 -19,43% -5,03% -23,48%
EZTC3 Eztec Construção Civil set/08 -15,32% 10,55% -6,38%
CEBR3 C. E. Brasília Energia Elétrica nov/08 33,33% -10,00% 20,00%
FHER3 Heringer Fertilizantes set/08 23,31% -9,34% 11,80%
ECPR4 Encorpar Holding dez/08 9,30% -2,14% 6,96%
SGAS4 WLM Holding abr/08 -1,18% -2,19% -3,34%
TGMA3 Tegma Logística nov/08 26,89% -1,93% 24,44%
ETER3 Eternit Material de Construção mai/08 6,85% -4,03% 2,54%
LEVE4 Metal Leve Material de Transporte jan/08 -6,12% 0,97% -5,21%
MWET4 Wetzel Material de Transporte fev/07 -9,86% -3,93% -13,40%
CNFB4 Confab Metalurgia dez/08 0,80% 12,96% 13,87%
MGEL4 Mangels Metalurgia ago/07 2,40% -2,34% 0,00%
TKNO4 Tekno Metalurgia mar/07 -5,66% -0,02% -5,67%
PTNT4 * Pettenati Têxtil fev/07 2,86% -3,47% -0,71%
CTSA3 Santanense Têxtil abr/08 8,85% 2,87% 11,98%
EQTL3 Equatorial Energia Energia Elétrica fev/09 8,09% 27,71% 38,04%
HBOR3 Helbor Construção Civil fev/09 8,09% 22,50% 32,41%
SULA11 Sulámérica Seguros fev/09 8,09% 3,98% 12,39%
MÉDIA 8,09% 2,37% 10,51%
IBOVESPA 4,66% -2,80% 1,60%
IBX2 -0,90% -1,90% -2,80%

Abraços,

Small caps - Anderson Lueders*

* Autor do livro “Investindo em Small Caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso.

“Investindo em Small Caps” é o livro do mês da Revista InvestMais e a recomendação da semana da ADVFN.

Fevereiro 16th, 2009 by small caps

Esta semana tive a felicidade de encontrar na edição de fevereiro da Revista InvestMais o livro que escrevi como o “livro do mês”.

A revista InvestMais é “a revista do pequeno investidor na bolsa”. Ela possui importantes diferenciais em relação àquelas que se dedicam ao assunto no mercado editorial brasileiro:

 

a) Traz informações sobre diversas companhias e não apenas em relação àquela meia dúzia de sempre que domina o noticiário; Ou seja, faz a análise de companhias blue chips, small caps e empresas que fizeram IPO’s recentemente;

 

b) Entre outros assuntos, discute sobre a análise técnica e fundamentalista, entrevista investidores que explicam seus métodos de investimento e faz confronto de alternativas de ações.

 

E o melhor é que a revista busca munir de informações o investidor na bolsa, com verdadeiro foco nisto. Isto porque, o tema bolsa é o pano de fundo da primeira a última página de todas as edições, e não apenas mais um dos tantos temas editoriais.

 

Freqüentemente faço comentários para a “coluna do small caps” na revista. E na edição de fevereiro, a empresa escolhida foi a Plascar. Vale a pena conferir. O link da revista é o seguinte:

 

www.revistainvestmais.com.br

 

De quebra, a semana que se passou contou com a presença do livro Investindo em Small Caps como a recomendação da semana na Newsletter da ADVFN.

 

Mantenho meu blog na ADVFN desde meados de 2007. É um excelente veículo de comunicação e de divulgação de trabalhos. Essa parceria foi bastante importante para mim, abrindo algumas oportunidades (como a de participar de importantes grupos de estudo e a de escrever um livro) e possibilitando que conhecesse diversos usuários com elevado conhecimento. Em vários debates surgiram novas alternativas de investimento que se mostraram promissoras.

 

Por fim, meus sinceros agradecimentos à Revista InvestMais e à comunidade ADVFN pela confiança depositada.

 

Abraços,

 

Small caps – Anderson Lueders.

 

Autor do livro Investindo em Small Caps

Carteira Small Caps para Fevereiro. Valorização de 8,09% em janeiro, liderada pelos bancos médios.

Fevereiro 1st, 2009 by small caps

A carteira small caps rendeu 8,09% no mês de janeiro de 2009, desempenhando 3,43% acima do índice Bovespa e bastante superior à variação do índice IBX2 (-0,9%) e Small Caps (0%). Neste mês, houve aumento generalizado nas ações do setor de bancos médios, recuperando parte das fortes perdas ocorridas durante o ano de 2008. Os bancos Pine (45,56%), Bic Banco (44,48%) e Banese (13,53%) tiveram participação decisiva no resultado da carteira.

Ainda no campo positivo, destaque para as valorizações do segmento de energia elétrica (CEBR3, 33,33%), fertilizantes (FHER3, 23,31%) e logística (TGMA3, 26,89%).

Pelo lado negativo, as ações de companhias menores do setor de construção civil continuam “derretendo” no mercado. Brascan, embora seja inclusive uma consolidadora do segmento, perdeu 19,43%, com a queda ampliada após o anúncio do aporte de capital de R$ 200 milhões, com subscrição de ações a R$ 2,00, o que foi comentado no tópico (http://smallcaps.blogs.advfn.com/2009/01/21/evite-armadilhas-popularidade-das-acoes-nem-sempre-significa-um-bom-negocio/#comments). A Eztec perdeu 15,32%, e agora vale, acreditem, R$ 92 milhões acima do valor de R$ 200 milhões que tinha em caixa líquido ao final de setembro de 2008. Ou seja, você leva os seus R$ 600 milhões de patrimônio líquido restante por apenas 15% deste valor.

Situações como esta nos fazem sempre lembrar a importância de manter um capital disponível em outras aplicações com risco e oscilações diferentes, uma adequada diversificação e de fazer a montagem de posições ao longo do tempo, aproveitando-se da irracionalidade do mercado. Aliás, é a irracionalidade que justifica a eufórica corrida pelas ações de construtoras quando custavam 3 vezes o valor patrimonial e a aversão agora que estão cotadas a uns 35, 40% do patrimônio líquido. Nos bancos médios, citados acima, alguns perceberam isto, inclusive com compra de ações do Bic Banco por uma grande gestora de fundos que foca também as small caps e com isso tem conseguido retornos de longo prazo superiores.

As ações das demais empresas variaram na banda de – 10% e + 10%.

Para o mês de fevereiro, permanecem todas as ações, até porque as companhias não apresentaram novos resultados e aquelas que terão os já esperados resultados fortemente negativos, impactados pelo câmbio, conforme mencionado nas últimas postagens no blog, possuem preços atraentes conforme a seleção de empresas em situação especial.

Lembre-se sempre, é claro, de fazer a posição em ações adequada a estes fatores de risco e manter a diversificação necessária para tanto. Afinal, neste meio estão as ações que sobem 3.000% em 12 meses (case MNPR3) e também aquelas que despencam 90% e um acerto compensa diversos erros.

Incluem-se as seguintes companhias na carteira para fevereiro:

EQTL3: Holding do setor elétrico, com participações na Light, na Cemar e recentemente na Geranorte. Negocia com P/L 4,25, P/VPA 0,89, PSR 0,56 e DY de 13,6%, segundo site fundamentus. Dentro do setor elétrico tem um dos menores múltiplos e demonstra apetite pela expansão. Há boa possibilidade de anunciar dividendos atraentes até o final de abril.

HBOR3: Construtora de menor porte na Bolsa (quando comparada às gigantes do setor), que negocia com P/L 4,24, P/VPA 0,32, PSR 0,40. Tem valor de mercado de R$ 126 milhões e só o lucro acumulado até o terceiro trimestre atinge R$ 43 milhões. Este lucro já garantiria um dividendo mínimo (conforme legislação, 25% do lucro líquido subtraído da reserva legal de 5%) de 8% sobre a cotação atual, a ser anunciado até a assembléia que deliberar o destino do resultado do exercício. Além disso, a quantia de “lucros a realizar” decorrente de unidades vendidas e ainda a construir, é superior ao seu valor de mercado atual.

SULA11: Seguradora que negocia com P/L 4,59, P/VPA 0,79 e tem ROE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido) dos últimos 12 meses de 17,2%. Transações recentes realizadas no país avaliaram seguradoras pelo dobro do valor patrimonial.

A carteira, então, fica assim constituída:

Ação Empresa Segmento Inclusão % em janeiro Resultado em
BEEF3 Minerva Alimentos abr/08 -1,62% 20-mar
PINE4 Banco Pine Banco abr/08 45,56% 13-fev
BGIP4 Banese Banco set/08 13,53% *
BICB4 Bicbanco Banco dez/08 44,48% *
CTAX4 Contax Call Center nov/08 2,88% *
BISA3 Brascan Construção Civil mai/08 -19,43% 10-mar
EZTC3 Eztec Construção Civil set/08 -15,32% 16-mar
CEBR3 C. E. Brasília Energia Elétrica nov/08 33,33% *
FHER3 Heringer Fertilizantes set/08 23,31% 11-mar
ECPR4 Encorpar Holding dez/08 9,30% *
SGAS4 WLM Holding abr/08 -1,18% *
TGMA3 Tegma Logística nov/08 26,89% 26-mar
ETER3 Eternit Material de Construção mai/08 6,85% 10-mar
LEVE4 Metal Leve Material de Transporte jan/08 -6,12% *
MWET4 Wetzel Material de Transporte fev/07 -9,86% *
CNFB4 Confab Metalurgia dez/08 0,80% *
MGEL4 Mangels Metalurgia ago/07 2,40% 27-mar
TKNO4 Tekno Metalurgia mar/07 -5,66% *
PTNT4 Pettenati Têxtil fev/07 2,86% *
CTSA3 Santanense Têxtil abr/08 8,85% *
MÉDIA 8,09%
EQTL3 Equatorial Energia Energia Elétrica fev/09 17-fev
HBOR3 Helbor Construção Civil fev/09 11-mar
SULA11 Sulámérica Seguros fev/09 26-fev
IBOVESPA 4,66%
IBX2 -0,90%

Por fim, lembre-se sempre de checar todas as informações que recebe e fazer a avaliação prévia das ações para investimento. Esta é a sua maior garantia de que poderá estar fazendo mesmo um bom negócio.

Abraços,

Small caps – Anderson Lueders.

Autor do livro “Investindo em Small Caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso.

Prepare-se: em breve inicia-se a temporada de balanços.

Janeiro 28th, 2009 by small caps

Um dos momentos mais esperados para o investidor com foco na análise fundamentalista ocorre quando inicia a temporada de balanços financeiros. Estes, quando anuais, devem ser divulgados até o final de março do ano seguinte. Algumas empresas começam a divulgar agora em fevereiro e a maioria concentra-se em meados de março. Os balanços trimestrais, por sua vez, devem ser divulgados em até 45 dias após o encerramento do trimestre.

O balanço é indiscutivelmente uma excelente foto do momento que passa a empresa e uma das mais democráticas formas de acesso à informação a todos os acionistas. Questões importantíssimas vêm à tona e vários aspectos que interferem no desempenho empresarial podem ser constatados.

Por exemplo: você descobre o que a inflação pode fazer com os ganhos das companhias; qual a importância do preço das commodities nos custos e nas receitas; como as variações da moeda impactam no desempenho financeiro e nas margens operacionais; em que medida a restrição de crédito inibe as vendas. Enfim, é o grande momento de eliminar diversas dúvidas e verificar se o cenário traçado na última foto disponibilizada é próximo daquilo que você aguardava.

Com efeito, somos todos movidos pelas expectativas e conforme as notícias vão sendo veiculadas na imprensa formamos as previsões de desempenho. Mas, comumente, tais previsões possuem um viés excessivamente positivo, ou vice-versa, e acabamos por projetar muitos anos à frente uma situação cíclica que deve se alterar se não em 1, mas em 3 anos, por exemplo.

E como muitos no mercado agem desta forma, a expectativa do desempenho pior acaba por aprofundar a queda dos preços das ações de companhias que aparentemente terão resultados declinantes. Quando chegar o balanço, você pode estar diante de uma companhia que efetivamente apresentou um desempenho com queda do lucro de 30%, exemplificando. No entanto, suas cotações poderiam, porque não, já terem caído uns 80%. Neste contexto, e avaliando os indicadores de atratividade fundamentalista, é muito provável estar-se diante de uma oportunidade de compra de ações muito depreciadas.

É evidente que os próximos balanços poder continuar mostrando deterioração do desempenho, mas, assim como o crescimento dos lucros não dura para sempre, a fase crítica também não.
A diferença entre a expectativa já precificada e o que de fato virá no balanço apresentado é o gap de ganhos (ou perdas) que você tem se for competente para perceber isto. No curto prazo, tudo é possível, mas, no longo prazo, é o desempenho empresarial que determina o futuro das cotações da empresa selecionada.

Falando brevemente de alguns setores, deve-se prestar atenção em alguns fatores importantes:

a) Visualize nos balanços das construtoras o quanto o saldo de “lucros a realizar” que constam nas notas explicativas é suficiente para manter lucros saudáveis e quanto disso é consumido num trimestre. Verifique ainda se o aumento dos custos da construção civil afetou as margens esperadas e como permanece a velocidade de vendas. Para este segmento, o mercado já espera o pior;

b) Nos balanços das empresas endividadas em dólar, constate como estaria o resultado sem os efeitos cambiais que não representaram efetivo desembolso de caixa. Se a empresa permanecer apresentando lucro operacional que cubram ao menos os encargos financeiros correntes, sem efeitos extraordinários, pode-se estar diante de uma boa oportunidade. Algumas dessas companhias custam 1, 2 meses de faturamento. Representam maiores riscos, mas também são estas as empresas cujas ações apresentam valorizações no médio e longo prazo superiores a 4 dígitos, quando a crise, futuramente, for assunto do passado;

c) No balanço das empresas do segmento de distribuição de energia elétrica, constate se o consumo de eletricidade foi afetado em sua área de concessão em razão da diminuição da atividade econômica. Isto mais provavelmente acontecerá com aquelas companhias que fornecem para o setor industrial;

d) No balanço dos bancos médios, especial atenção deverá ser dada a como está sendo a captação, seu custo e o nível de inadimplência. Vai ser possível constatar até que ponto o aumento do spread bancário serviu para amenizar o menor ritmo de concessão de crédito.

e) Nas empresas em geral, esteja preparado para visualizar forte retração da demanda, que deve permanecer neste trimestre, em razão da necessidade de muitas empresas ajustarem seus estoques a um novo ritmo de atividade econômica e a um custo maior do capital de giro. Isto pode ampliar a sensação de desaceleração econômica no curto prazo.

Portanto, aproveita a oportunidade que os balanços trarão para estabelecer novos alvos de aquisição de ações diante do gap entre a queda das cotações e dos resultados empresariais e, se necessário, substitua da sua carteira de ações as companhias que eventualmente decepcionaram e ainda não atingiram preços de empresas em “estado falimentar”.

Abraços,

Small caps – Anderson Lueders.
Autor do livro “Investindo em Small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso”.