Análise fundamentalista dos múltiplos relativos da Petrobras
Abril 24th, 2009 by small capsSempre que o investidor for decidir pela compra de ações de uma companhia, deve avaliar se está pagando caro ou barato pelo futuro que se projeta nos preços. Uma das formas de se realizar este estudo é por meio dos múltiplos da análise fundamentalista. Os mais conhecidos são Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial e Dividendo anual.
A atratividade destes indicadores sofre efeito das taxas de juros no mercado livre de risco. No Brasil, o mais próximo disto é a taxa SELIC. Por exemplo, com a SELIC a 11,25%, um Preço/Lucro por volta de 8 ou 9 pode ser considerado um ponto de equilíbrio, com o mercado acreditando em manutenção dos lucros.
No caso da Petrobras, as perspectivas futuras são bastante conhecidas e comentadas pelo noticiário econômico. Os fatores que mais influenciarão suas cotações são: a capacidade de controlar os custos; o sucesso na exploração da camada pré-sal e a manutenção do Petróleo em níveis de preços viáveis. A companhia é das poucas que ainda pode expandir de forma relevante sua capacidade produtiva e tem um ambicioso plano de investimentos para tanto.
E o que você está pagando por tudo isso?
A Petrobras negocia com Preço/Lucro 8. Ou seja, o mercado espera que o patamar atual de lucratividade se manterá no médio prazo. Ações de empresas que possuem P/L mais alto significa a precificação no presente de eventual aumento futuro da lucratividade. Não é o caso da empresa. O P/L também não está baixo o suficiente para sinalizar a crença de que o petróleo continuará caindo de preço e que os investimentos recentes que estão sendo realizados não se mostrarão exitosos.
O Preço/Valor patrimonial está em 1,9. Isto significa que o investidor atualmente aceita pagar mais pela empresa do que o seu próprio valor contábil, traduzido pelo patrimônio líquido. Há íntima relação entre o indicador Preço/Valor Patrimonial e a Rentabilidade Operacional (ROE - ou RPL como no quadro dos indicadores fundamentalistas). No caso da Petrobras, o ROE dos últimos 12 meses equivale a 23,8%, sinalizando que o capital próprio utilizado pela empresa gera retorno superior às taxas de juros.
O Dividendo dos últimos 12 meses em relação á cotação atual está em 2,7%. A cifra é baixa se comparada a inúmeras outras companhias do setor elétrico e de telefonia. No entanto, empresas em fase de forte crescimento costumam reinvestir os lucros na própria atividade. Isto é benéfico ao investidor quando o retorno sobre o patrimônio líquido supera o custo de capital, o que é o caso da Petrobras. No futuro, o investimento em mais capacidade produtiva pode se traduzir em mais proventos a serem distribuídos aos acionistas.
Portanto, o preço pago hoje pela Petrobras sinaliza que o mercado acredita que o petróleo continuará sendo uma importante fonte de energia e que os preços da commoditie gravitarão ao menos um pouco acima do atual. Caso a cotação do Petróleo volte a subir e/ou os investimentos na camada pré-sal tragam bons retornos, a tendência é que as cotações se elevem no médio e longo prazo.
No curto prazo, o movimento mais relevante virá do fluxo de capital estrangeiro. Na hipótese de os investidores de outros países voltarem a aplicar no Brasil, um caminho natural é a exposição nas ações mais líquidas num primeiro momento, o que contribuirá para a alta das cotações. No longo prazo, no entanto, são os resultados corporativos que ditarão os rumos da empresa na bolsa.
Preço/Lucro (P/L): em condições constantes de lucro ao longo dos anos, significa o tempo em anos que a companhia levará para lucrar quantia equivalente ao seu valor de mercado.
Preço/Valor Patrimonial por ação (P/VPA): É a relação entre o preço pago pela ação e o valor patrimonial que ela significa. Toda companhia tem um Patrimônio Líquido. Este patrimônio é o que sobra para o acionista quando realizado o encontro das contas de todos os ativos (dinheiro em caixa, aplicações, estoques, máquinas, imóveis, etc…) e do passivo (empréstimos, pagamento a fornecedores, etc…). Mas é necessário ter em mente que muitas vezes o patrimônio da empresa contém ativos/passivos superiores ao valor contábil e vice-versa.
ROE: retorno sobre o patrimônio líquido. Se uma companhia tem um patrimônio de R$ 100 mil e gerou um lucro líquido de R$ 20 mil, significa que o ROE é de 20%. O ideal é sempre buscar por companhia cujo ROE é superior ao custo do capital (taxa SELIC, por exemplo).
Abraços,
Small caps - Anderson Lueders
Autor do Livro “Investindo em Small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso“

