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Archive for Julho 11th, 2009

Carteira Small Caps surpreende no semestre e deixa Ibovespa quase 40% para trás.

Sábado, Julho 11th, 2009

Prezado leitor:

Encerrado o primeiro semestre de 2009, é um ótimo momento para refletir sobre o desempenho da carteira small caps, divulgada neste blog (link), cuja forma de seleção é esclarecida no livro “Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso”.

Enquanto o Ibovespa apresentou no semestre valorização de 37%, a carteira small caps atingiu 76%. Conforme previsto na newsletter do início deste ano encaminhada pela ADVFN (link), os ativos que mais contribuíram para este desempenho são do setor bancário e da construção civil. BICB4, com 192% e PINE4, com 155% lideraram as altas entre os bancos médios. Helbor e Eztec também subiram mais de 100%.

Se a carteira fizesse parte das seleções do indispensável Jornal Valor Econômico, ela estaria 25% a frente da melhor carteira de investimento publicada, apesar da maior diversificação em número de ativos e setorial.

O resultado é apenas uma amostra do tamanho da oportunidade que o mercado nos ofereceu no seu estágio mais depressivo. Quando o pânico se instalou e os circuit breakers eram acionados numa freqüência poucas vezes vistas, foi o grande momento de sair a campo atrás das barganhas que surgiam diariamente. Para tanto, é claro, foi necessário ter a estratégia multimercado, que assegurou capital disponível para aproveitar as liquidações.

Quem estava 100% em bolsa, provavelmente viu seus ativos derreterem e apenas puderam se lamentar da falta que a renda fixa fez naquele momento. Na direção oposta, aqueles que se guiaram pelos indicadores fundamentalistas e foram prudentes quando da euforia da bolsa, mantendo parte dos seus recursos a salvo da bolha que se formava, puderam encontrar diversas empresas sendo negociadas por menos que o valor de liquidação. Algumas chegaram a custar abaixo do valor em caixa subtraído de todas as obrigações e outras, como Bicbanco, chegaram a negociar a um dividendo anual projetado de impressionantes 30%! Não é a toa que desde então a alta já supera os 400%.

Passada a fase aguda do pânico, os ativos começam a voltar a preços mais racionais e é este ajuste que tem permitido o bom desempenho da carteira. A fase de liquidações deu vez à caça às barganhas pelos investidores.

A carteira foi se adaptando no meio da crise ao novo cenário econômico, com a escolha de ativos mais voltados ao mercado interno e com menor índice de endividamento. O leitor que acompanha o blog com maior freqüência pode perceber que aos poucos os ativos de maior risco e dívidas em dólar foram sendo substituídos por empresas que tinham probabilidade maior de se saírem bem no cenário econômico vivido. O fator capacidade de produção que era o mais importante antes da crise deixou de sê-lo repentinamente, quando então o dinheiro em caixa passou a ser um grande diferencial.

E muitas das novas escolhas nos trouxeram gratas surpresas, apresentando resultados pujantes, deixando praticamente imperceptível o cenário catastrófico ao redor. Em outras situações, foi o pessimismo instalado nos agentes de mercado que previam o fim do mundo para diversas empresas que acabou não se confirmando e abriu espaço para grandes valorizações. A verdade é que as empresas são afetadas de forma muito diferente nas crises, mas o mercado derrubou tudo numa velocidade impressionante, ignorando esta situação.

Mas é claro que a tranqüilidade que guia o investidor em valor durante o pânico não pode ser substituída pela euforia quando chega o momento das altas. E você, leitor, é quem melhor pode se instruir para investir adequadamente quando uma grande crise surge ou para quando a euforia passa a tomar conta.

Agora, com os resultados trimestrais que se aproximam, inicia-se uma nova oportunidade para avaliar a carteira de ações, verificando se as cotações já atingidas são justas ou ameaçam ser o início de uma nova bolha. Os múltiplos fundamentalistas e as perspectivas futuras visualizáveis nos balanços novamente servirão de guia, numa estratégia racional e focada em aproveitar a ineficiência do mercado em precificar as ações.

Abraços,

Small caps.

Autor do livro “Investindo em small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso“.