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Análise fundamentalista dos múltiplos relativos da Petrobras

Sempre que o investidor for decidir pela compra de ações de uma companhia, deve avaliar se está pagando caro ou barato pelo futuro que se projeta nos preços. Uma das formas de se realizar este estudo é por meio dos múltiplos da análise fundamentalista. Os mais conhecidos são Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial e Dividendo anual.

A atratividade destes indicadores sofre efeito das taxas de juros no mercado livre de risco. No Brasil, o mais próximo disto é a taxa SELIC. Por exemplo, com a SELIC a 11,25%, um Preço/Lucro por volta de 8 ou 9 pode ser considerado um ponto de equilíbrio, com o mercado acreditando em manutenção dos lucros.

No caso da Petrobras, as perspectivas futuras são bastante conhecidas e comentadas pelo noticiário econômico. Os fatores que mais influenciarão suas cotações são: a capacidade de controlar os custos; o sucesso na exploração da camada pré-sal e a manutenção do Petróleo em níveis de preços viáveis. A companhia é das poucas que ainda pode expandir de forma relevante sua capacidade produtiva e tem um ambicioso plano de investimentos para tanto.

E o que você está pagando por tudo isso?

A Petrobras negocia com Preço/Lucro 8. Ou seja, o mercado espera que o patamar atual de lucratividade se manterá no médio prazo. Ações de empresas que possuem P/L mais alto significa a precificação no presente de eventual aumento futuro da lucratividade. Não é o caso da empresa. O P/L também não está baixo o suficiente para sinalizar a crença de que o petróleo continuará caindo de preço e que os investimentos recentes que estão sendo realizados não se mostrarão exitosos.

O Preço/Valor patrimonial está em 1,9. Isto significa que o investidor atualmente aceita pagar mais pela empresa do que o seu próprio valor contábil, traduzido pelo patrimônio líquido. Há íntima relação entre o indicador Preço/Valor Patrimonial e a Rentabilidade Operacional (ROE - ou RPL como no quadro dos indicadores fundamentalistas). No caso da Petrobras, o ROE dos últimos 12 meses equivale a 23,8%, sinalizando que o capital próprio utilizado pela empresa gera retorno superior às taxas de juros.

O Dividendo dos últimos 12 meses em relação á cotação atual está em 2,7%. A cifra é baixa se comparada a inúmeras outras companhias do setor elétrico e de telefonia. No entanto, empresas em fase de forte crescimento costumam reinvestir os lucros na própria atividade. Isto é benéfico ao investidor quando o retorno sobre o patrimônio líquido supera o custo de capital, o que é o caso da Petrobras. No futuro, o investimento em mais capacidade produtiva pode se traduzir em mais proventos a serem distribuídos aos acionistas.

Portanto, o preço pago hoje pela Petrobras sinaliza que o mercado acredita que o petróleo continuará sendo uma importante fonte de energia e que os preços da commoditie gravitarão ao menos um pouco acima do atual. Caso a cotação do Petróleo volte a subir e/ou os investimentos na camada pré-sal tragam bons retornos, a tendência é que as cotações se elevem no médio e longo prazo.

No curto prazo, o movimento mais relevante virá do fluxo de capital estrangeiro. Na hipótese de os investidores de outros países voltarem a aplicar no Brasil, um caminho natural é a exposição nas ações mais líquidas num primeiro momento, o que contribuirá para a alta das cotações. No longo prazo, no entanto, são os resultados corporativos que ditarão os rumos da empresa na bolsa.

Glossário de termos utilizados na análise da Petrobras

Preço/Lucro (P/L): em condições constantes de lucro ao longo dos anos, significa o tempo em anos que a companhia levará para lucrar quantia equivalente ao seu valor de mercado.

Preço/Valor Patrimonial por ação (P/VPA): É a relação entre o preço pago pela ação e o valor patrimonial que ela significa. Toda companhia tem um Patrimônio Líquido. Este patrimônio é o que sobra para o acionista quando realizado o encontro das contas de todos os ativos (dinheiro em caixa, aplicações, estoques, máquinas, imóveis, etc…) e do passivo (empréstimos, pagamento a fornecedores, etc…). Mas é necessário ter em mente que muitas vezes o patrimônio da empresa contém ativos/passivos superiores ao valor contábil e vice-versa.

ROE: retorno sobre o patrimônio líquido. Se uma companhia tem um patrimônio de R$ 100 mil e gerou um lucro líquido de R$ 20 mil, significa que o ROE é de 20%. O ideal é sempre buscar por companhia cujo ROE é superior ao custo do capital (taxa SELIC, por exemplo).

Abraços,

Small caps - Anderson Lueders

Autor do Livro “Investindo em Small caps: um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso

6 Responses to “Análise fundamentalista dos múltiplos relativos da Petrobras”

  1. Gui Rodrigues Says:

    Small, li um comentário “idêntico” ao seu neste post:

    http://www.seagulltrading.com/2009/04/petrobras-duas-vertentes-muita.html

    Por acaso você também colabora com textos no Monitor Investimentos?

    Abraço.

  2. small caps Says:

    Gui Rodrigues,
    Que beleza as small caps este mês hein? :)
    O Monitor também é parceiro na publicação de matérias que produzo. A que está acima fiz originariamente para a newsletter especial de páscoa da ADVFN, conforme link a seguir:
    http://newsletter.blogs.advfn.com/newsletters-especiais/e-um-prazer-anunciar-mais-um-servico-gratuito-para-voce
    Abraços,
    Small caps.

  3. Seagull Says:

    Caro Gui

    Obrigado por enviar um email dando conhecimento a mim da confusão que porventura tenha ocorrido. O Anderson é nosso parceiro e amigo de primeira hora, sempre disponibilizou seus textos para publicação em nosso site, aos quais eu faço a divulgação com extremo prazer e gratidão pela qualidade dos estudos elaborados por ele, nunca deixando de ressaltar a fonte.

    Como eu também mantenho um blog, eventualmente transcrevo alguns trechos relevantes das postagens no fórum intraday. Neste caso específico, Eu o Older e o Polycrav estavamos debatendo o cenário da Petro, e o Poly publicou um comentário que eu acabei interpretando como de sua autoria, por isso fiz referência apenas a ele na transcrição para o blog.

    E, sendo todos amigos, certamente o Poly reforçou seus argumentos com trabalho do Anderson, o que deve ter passado despercebido por mim.

    De qualquer forma fica o agradecimento por ajudar a esclarecer a questão. Vou, inclusive, reforçar isto no Seagull Trading para que não fique nenhuma duvida quanto à paternidade do que foi publicado. :-)

    Grande abraço a você e outro forte no Anderson

    ^v^

  4. carlosgro Says:

    Anderson,

    As small caps estão “estourando”, junto com o mercado estes dias, mas esperas que o mercado siga neste caminho, sem fortes realizações?
    Abraço,

    CArlos

  5. cefaspedro Says:

    Olá Small,

    Achei interessante o que vc disse no 2º parágrafo. Sobre a atratividade dos indicadores diante da taxa de juros. Achei interessante este ponto de equilíbrio que você falou. Poderia nos explicar melhor? Obrigado! :D

    Uma outra coisa, gostaria também, se possível, você comentasse sobre as iformações de Demonstração do Fluxo de Caixa. É algo importante que devemos analisar na avaliação de uma empresa? Obrigado de novo! :D

  6. denis01 Says:

    Olá Anderson,
    Leio sempre atentamente seus posts e estou aprendendo muito, sou ainda um investidor iniciante mas muito curioso de suas análises.

    Estive observando suas avaliações fundamentalistas e me despertou curiosidade este P/L. Estive avaliando a Redecard RDCD3 que é tida como uma grande distribuidora de dividendos e foi muito elogiada nos tempos de IPO e está atualmente com um P/L de 14,88 (pelo site fundamentus).

    Sendo assim, devo entender que devo esperar um retorno puramente pelo crescimento da empresa uma vez que levariam quase 15 anos para os dividendos “empatarem” a compra das ações?

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