Panorama dos Resultados Anuais das Empresas
Os balanços referentes ao ano de 2008 foram bastante aguardados, na medida em que trazem quais foram os primeiros impactos reais da crise nas companhias negociadas em bolsa, nos seus mais diversos setores, bem como evidenciam os efeitos da nova legislação contábil.
É, portanto, o momento de apreciar se o que era esperado de fato aconteceu. Teoricamente, é sabido que os setores mais defensivos são os de energia elétrica e telecomunicações. Na prática, vimos um desempenho efetivamente muito positivo nas empresas de energia elétrica, que estavam muito melhor preparadas para esta crise do que em outras oportunidades. As dívidas estavam equacionadas e não eram atreladas ao dólar. Junto do balanço, muitas delas anunciaram dividendos bastante altos, especialmente se considerado o atual nível de juros reais que vem se estabelecendo no Brasil. No setor de telefonia, as companhias continuaram operacionalmente muito bem. Apenas algumas delas tinham também dívidas cambiais que afetaram o resultado financeiro, o que não deverá se repetir no primeiro trimestre deste ano. Portanto, houve boa razão para se manterem com preços mais firmes que a média do mercado no último ano.
Já o segmento de construtoras foi um dos que mais surpreendeu o mercado. Com as novas normas contábeis, ficou evidente que as companhias utilizavam critérios diferentes na hora de fazer o balanço. Por exemplo, muitas despesas comerciais, antes reconhecidas apenas quando da venda e realização da obra, passaram a ser contabilizadas no momento em que incorridas. Isto provocou forte mudança nos resultados anuais e um rearranjo de atratividade das ações do setor. Agora, ficará mais fácil comparar o desempenho empresarial. Operacionalmente, boa parte das companhias continuou apresentando lucros decorrentes das vendas de unidades realizadas antes da chegada da crise. Houve também um redirecionamento de muitas empresas do setor ou para construções comerciais, ou para o segmento econômico. O segmento mais afetado foi aquele que atende as classes sociais de maior poder aquisitivo. As vendas de novas unidades caíram bastante no último trimestre de 2008, inclusive fazendo com que algumas companhias cancelassem alguns empreendimentos.
No setor do agronegócio/alimentos, a maioria das companhias sofreu forte impacto do câmbio, diante da excessiva exposição à moeda e, em alguns casos, até mesmo derivativos cambiais. Embora tenham demanda menos elástica, as empresas foram prejudicadas com a falta de crédito e com a crise econômica em alguns dos seus mercados, justamente no momento em que o câmbio passa a favorecer as exportações. O mercado interno comportou-se muito melhor que o mercado externo.
Os bancos médios mostraram adaptação ao novo cenário econômico, readequando o tamanho da estrutura. Ficou também evidente que nem todos tiveram que recorrer às medidas anunciadas pelo governo para destravar o empoçamento da liquidez nos grandes bancos até o encerramento do ano, o que permitiu a manutenção de boas margens operacionais. Houve forte aumento de provisões espontâneas para os devedores duvidosos, antecipando os prováveis efeitos da crise econômica na inadimplência, impactando o lucro líquido. As medidas tomadas pelo Banco Central permitiram que muitos deles mantivessem caixa adequado ao final do ano.
No segmento industrial, várias empresas também sentiram fortemente o impacto do dólar no balanço financeiro. Ficou evidenciado o aumento do estoque em razão da abrupta queda da atividade econômica, ajuste este que certamente se estendeu durante o primeiro trimestre deste ano, gerando fortes quedas na produção industrial. Estas companhias, em sua maioria, ainda não se beneficiaram totalmente da queda do preço das commodities (compras estocadas) e pelo aumento do dólar que melhora as margens das exportações (mercado consumidor externo retraído).
Entre as empresas em geral, saíram-se melhor na crise aquelas voltadas ao mercado interno e que produzem bens não duráveis ou que atuam no varejo. Aquelas que possuem boa disponibilidade de caixa sofrem menor nível de sobressaltos, até porque não tem, além da atividade operacional fraca, a corrosão da lucratividade pelas despesas financeiras.
Um bom método de seleção acionária no atual cenário é privilegiar a compra das ações que pagam bons dividendos e que há tendência de manutenção dos resultados empresariais, como as ações defensivas. Em outros segmentos, o investidor já pode estar comprando ações que custam abaixo do valor (ou próximo disso) que a companhia tem em ativos líquidos (caixa, aplicações financeiras de liquidez imediata, recebíveis de clientes, estoques, etc…) subtraído de todas as obrigações e que tenham boa gestão. Quando iniciar a retomada econômica, as ações defensivas certamente subirão menos, uma vez que não caíram tanto em razão da crise. Por isso, fazer uma diversificação com ações hoje extremamente depreciadas pode ser a chave para surpresas agradáveis no futuro.
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Investindo em Small Caps
Anderson Lueders
Em linguagem acessível, o livro traz as ferramentas necessárias para o investidor identificar e avaliar um segmento de enorme potencial de valorização na bolsa de valores, as empresas pequenas e médias, conhecidas como Small Caps. O livro apresenta estratégias e define o melhor momento para a compra e venda dessas ações indicando os comportamentos mais adequados durante a trajetória do investimento.
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Abril 23rd, 2009 at 17:16
Olá, Luerdes.
Onde consigo essas informações sobre venda de imóveis? Procurei dados no IBGE e só encontrei índices que avaliam o custo de construção de obras, mas nada sobre vendas.
Grato.
[]s
Setembro 7th, 2009 at 13:06
Bom dia!!!
Achei sensacional seu livro sobre investimentos em small caps, parabéns!!
Livro de conteúdo, fácil leitura, e totalmente prático. De todo material lido, o que eu nunca havia me dado conta, era o fato das corretoras sempre indicarem açoes de grande liquidez (nem sempre as mais rentáveis), já que as mesmas faturam com as ordens de compra e venda.